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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Advogado campo-alegrense denuncia ação violenta durante blitz policial em Limoeiro de Anadia

Advogado diz ter sido vítima de abordagem violenta durante blitz (Foto: Larissa Bastos / GazetaWeb)
Ele diz que quebrou o braço após ser abordado por policiais no fim de semana

O advogado Everton Thayrones de Almeida denunciou, na manhã desta segunda-feira (4), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ter sido vítima da ação violenta de policiais durante uma blitz ocorrida em uma estrada do Povoado Pé Leve, situado em Limoeiro de Anadia. Ele diz que foi algemado e teve o braço quebrado pelos policiais.

Segundo o advogado, que seguia de Arapiraca para Campo Alegre, os policiais pediram os documentos dele e constataram que o IPVA estava atrasado 2 dias, informando que o veículo ficaria detido. O profissional diz não ter oferecido resistência e pedido que a outra pessoa que estava com ele no carro voltasse para Arapiraca para pegar outro veículo a fim de que eles continuassem a viagem. Antes disso, o guincho teria chegado ao local e a polícia solicitado do condutor a chave do veículo. “Eu disse que não entregaria as chaves porque a lei não obriga isso, mas deixei o carro destravado para que o guincho levasse”, conta.   

Em seguida, os policiais do 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) teriam gritado com o advogado e dado voz de prisão a ele por desacato. Também teriam puxado o braço do condutor de forma violenta, colocado algemas e o levando até a viatura. De lá, ele foi encaminhado para a Unidade de Emergência, onde fez exames que constataram que ele havia quebrado o braço. “Não me deixaram ligar pra ninguém. Tomaram o meu telefone e também não deixaram ninguém ligar do hospital”, falou.

Na Unidade de Emergência, o advogado teria encontrado alguns amigos, que ligaram para a OAB. Um representante da Ordem foi até a delegacia acompanhar o depoimento do advogado. Primeiro, foi feito um boletim de ocorrência dizendo que o advogado havia cometido desacato e desobediência. Segundo o advogado, depois que estava tudo pronto, o registro foi refeito e mudado para desacato e resistência, para justificar o braço quebrado. Ele pagou a fiança para ir embora e foi liberado por volta de 20h30 do sábado (2). A ocorrência começou às 10h.

Nesta segunda-feira, ele esteve na OAB para pedir que as providências relacionadas ao caso sejam adotadas. "Mesmo depois de todo o procedimento pronto, eles modificaram para justificar a agressão. Mas como eu ia resistir contra 15, 20 policiais que estavam lá na hora? Eles ficaram o tempo todo me ofendendo, me chamando de maloqueiro. Paguei a fiança para poder ir embora e não por concordar", falou.  

O presidente da OAB, Thiago Bonfim, disse que vai acionar as autoridades para a apuração do caso, que será encaminhado ao Conseg, ao MPE, à procuradoria militar, ao comando-geral da PM e ao secretário de Estado de Defesa e Ressocialização Social, Alfredo Gaspar de Mendonça.

"Vamos acionar todas as entidades envolvidas e também a Polícia Federal para que instaure inquérito, pois ele se identificou como advogado e pediu a presença da OAB e uma lei federal garante isso. A lei foi violada. O fato é grave e merece apuração. Se comprovado o abuso, a punição deve existir. Deve ser apurado até porque os bons PMs têm interesse nisso, para que não paire sobre a corporação a acusação de truculência. É importante deixar claro que temos e vamos continuar tendo respeito e parceria com a PM. Esse é um fato isolado e não queremos criar uma crise", diz Thiago Bonfim.

O chefia de gabinete do Comando Geral da Polícia Militar informou que a denúncia já foi formalizada e será apurada.

Por Gazeta Web

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