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sábado, 11 de junho de 2016

Canal Futura grava documentário sobre a Escola Estadual Dom Constantino Luers

A Escola Estadual Dom Constantino Luers, de Campo Alegre, viveu uma rotina diferente esta semana. No período de 6 a 8 de junho, a unidade de ensino recebeu a visita do Canal Futura, que, desde maio, percorre o Brasil em busca de instituições de ensino que passaram por experiências  transformadoras. Ao todo, cinco unidades de ensino protagonizam a série especial da emissora e a escola alagoana foi a única do Norte/Nordeste selecionada para a produção.

O repórter Antônio Gois conta como foi a seleção das instituições. “Procuramos escolas com diferentes perfis, mas que tinham em comum o fato de terem passado por grandes transformações. Por isso, estamos visitando estas unidades para conhecê-las e ouvir seus gestores, alunos e professores para entender como esta mudança aconteceu”, conta.

O jornalista também relata suas impressões acerca da Escola Dom Constantino Luers. “Todas as nossas expectativas foram confirmadas. Aqui percebemos que existe uma forte liderança de toda a equipe gestora”, aponta Antônio.

Esforço coletivo – Para entender a transformação pela qual passou a Escola Dom Constantino Luers, é preciso voltar três anos no tempo, quando a professora de Biologia Valquíria Batista de Assis assume a direção geral da unidade de ensino. Dois anos antes, após fortes chuvas na região, o teto de uma das salas da escola havia desabado e, em 2013, a população campo-alegrense preferia matricular seus jovens no ensino médio de São Miguel dos Campos ou Limoeiro de Anadia.

Para mudar esse cenário, Valquíria optou pela mobilização coletiva: a escola era de todos e todos tinham a responsabilidade de zelar por ela. Com a união de toda a sua equipe, a unidade de ensino empreendeu projetos de incentivo ao protagonismo juvenil onde os alunos poderiam se expressar e expor seus talentos. O diálogo entre equipe gestora e estudantes também se tornou mais aberto, intensificando a proximidade entre os dois lados.

A unidade também fortaleceu seu relacionamento com as famílias e a população campo-alegrense. Para as primeiras, promoveu plantões pedagógicos onde pais conversavam diretamente com os professores para acompanhar o desempenho de seus filhos em sala de aula. Já os laços com a comunidade foram fortalecidos graças a projetos como o Flor da Idade, onde a escola mobilizava alunos, servidores e familiares em um mutirão de serviços e ações voltadas para os idosos da região. Até mesmo os comerciantes locais colaboram.

Valquíria também optou por um estilo dinâmico de gestão. Ao chegar na escola, é fácil encontrá-la circulando pelos corredores inspecionando reparos na infraestrutura, dando anúncios em sala de aula, recebendo alunos e comunidade ou reunida com a coordenação pedagógica. “Nestes três anos de gestão, acho que só passei um dia na sala da direção”, brinca a diretora.

Resultados – A postura adotada pela gestão não demorou a surtir efeito. As matrículas aumentaram de 906 alunos em 2013 para mais de 1.200 em 2015 e os jovens, que antes buscavam cursar o ensino médio em outros municípios, retornaram à escola, que passou a atrair também egressos da rede particular. Situação similar ocorreu no acesso ao ensino superior: enquanto em 2013 a escola teve quatro aprovados no Enem e vestibulares de faculdades particulares, em 2015, esse número subiu para 30 alunos. Mais impressionante ainda foi a redução da taxa de abandono: em um município com forte presença da economia canavieira, onde parte da população busca emprego em outros estados durante a entressafra açucareira, o índice de abandono de alunos reduziu 7,5% passando de 17% em 2012, para 10% em 2015.

Valquíria atribui o resultado ao esforço e trabalho de toda a equipe. “Aqui vivenciamos a gestão democrática em sua essência e fazemos questão de ouvir todos. Esta é nossa segunda casa e trabalhamos para oferecer o melhor para a comunidade e nossos alunos sentem o carinho que todos temos pela escola. Tanto que muitos almejam, no futuro, retornar como professores”, destaca Valquíria.     
         
Para a gestora, receber a visita do Canal Futura na escola é motivo de alegria. “Saber que, dentre as cinco escolas escolhidas, nós fomos a única do Norte/Nordeste selecionada, é motivo de muito orgulho, pois trata-se do reconhecimento de um trabalho de equipe”, afirma.

Identificação – Alunos e professores também possuem um relacionamento especial com a escola. É o caso do professor de Língua Inglesa Cleverton de Souza. Conhecido pelas aulas dinâmicas e interativas, ele incentiva a prática do idioma por meio de ferramentas multimídia e projetos interdisciplinares como o Sing your Song, onde o estudante aprende a língua cantando e ainda expõe seus talentos musicais. Ele também promove debates sobre tolerância e direitos das minorias com os jovens. “Aqui somos uma família e, quando entro em sala, dou o meu melhor, pois quero proporcionar aos meus alunos tudo o que não tive na idade deles”, declara.

Sérgio da Silva, aluno da 2ª série do ensino médio, é outro com forte identificação com a escola. Aos 17 anos, o jovem, que é vice-presidente do grêmio estudantil, é um parceiro da direção e, ao lado de seus colegas gremistas, possui vários projetos em prol da instituição. “Aqui temos professores atenciosos e uma equipe gestora que administra a escola com afeto de mãe. Costumo dizer que a Dom Constantino, apesar de pequena no tamanho, é grande na essência”, diz Sérgio.

Exibição - Após as filmagens em Campo Alegre, a equipe do Canal Futura segue para o interior de Goiás. Outras três escolas – duas no estado do Rio de Janeiro e uma em Campinas, São Paulo – completam a série, cujos episódios devem ser exibidos a partir de setembro.

Por Agência Alagoas

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